Ministério da Educação
Instituto Federal Sul - Rio-Grandense
Campus Pelotas - Visconde da Graça
As informações implícitas (pressuposto e subentendido)
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação de que ele
pode dizer coisas que parece não estar dizendo; além das informações
explicitamente enunciadas, existem aquelas outras que ficam subentendidas ou
pressupostas.
Observe a frase a seguir:
O marido da Irma parou de beber.
Sinto muito. Quando é o enterro?
1. Qual é a informação óbvia contida na primeira frase?
O marido parar de beber. O verbo “parou” (explícito no enunciado de Helga) marca a
informação implícita de que ele bebia antes.
2. O que se pode concluir a respeito do marido de Irma a partir da leitura da segunda frase?
Conclui-se que ele (o marido) parou de beber porque morreu.
Informação implícita
marcada na palavra “enterro”.
Podemos dizer que nesse texto há informações explícitas e implícitas. Logo, para
realizar uma leitura eficiente, o leitor deve captar tanto os dados explícitos quanto os
implícitos. Esses últimos são os pressupostos e os subentendidos.
Pressupostos
Os pressupostos são aquelas idéias não expressadas de modo explícito, mas que o
leitor pode perceber a partir de certas palavras ou expressões contidas no
enunciado. Da leitura do quadrinho acima, podemos depreender que a informação
explícita pode ser questionada, pois a amiga da Helga poderia concordar ou não
com ela. Entretanto, o pressuposto de que o marido da Irmã “bebia antes” é
verdadeiro, pois está marcado no verbo “parou”.
Logo, tem-se que o pressuposto tem de ser verdadeiro ou pelo menos admitido
como tal, porque é a partir dele que se constroem as informações explícitas. Se o
pressuposto é falso, a informação explícita não tem cabimento.
Os pressupostos são marcados, nos enunciados, por meio de vários indicadores linguísticos, dentre eles podemos citar como exemplo:
• Certos advérbios como, por exemplo, ainda, já, agora.
Exemplo: Os resultados da
pesquisa ainda não chegaram.
(Pressupõe-se que os resultados já deveriam ter
chegado ou que os resultados vão chegar mais tarde)
• Verbos que indicam mudança ou permanência de estado, como ficar, começar a,
passar a, deixar de, continuar, permanecer, tornar-se etc...
Exemplo: Maria continua
triste. (Pressupõe-se que Maria estava triste antes do momento da enunciação).
• certos conectores circunstanciais, especialmente quando a oração por eles
introduzida vem anteposta. Ex.: desde que, antes que, depois que, visto que etc.
Exemplo: Desde que Ricardo casou, não cumprimenta mais as amigas. (Pressupõe-se que Ricardo cumprimentava as amigas antes de se casar).
Subentendidos
Leia a frase a seguir:
Por trás de todo grande homem há sempre uma mulher.
E como é que estou caminhando atrás de você?
Advinha!
1. O que se pode concluir da fala de Helga na primeira frase?
Um homem para ser “grande” precisa do apoio da mulher.
2. O que se subentende do diálogo das duas personagens na última frase? Hagar não é um grande homem. Subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma afirmação.
O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: ele é de responsabilidade do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte depreendeu. Logo, o subentendido, muitas vezes, serve para o falante se proteger diante de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer com ela.
A ambiguidade se caracteriza como um desvio, em se tratando da linguagem
2. O que se subentende do diálogo das duas personagens na última frase? Hagar não é um grande homem. Subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma afirmação.
O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: ele é de responsabilidade do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte depreendeu. Logo, o subentendido, muitas vezes, serve para o falante se proteger diante de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer com ela.
A ambiguidade
A ambiguidade se caracteriza como um desvio, em se tratando da linguagem
Redigir um texto não parece tarefa descomplicada para uma boa parte dos usuários da língua, dadas as habilidades que a modalidade escrita da linguagem requer e que muitas vezes não se encontram assim tão aprimoradas. Diante dessa realidade inquestionável, propusemos-nos a levar ate você algumas considerações acerca de um fator que, quando materializado, acaba se tornando um desvio; consequentemente interferindo de forma negativa na precisão desse discurso, qualidade essa tão importante quando necessária, Tal falha, digamos assim, diz respeito à ambiguidade que, como todos nós sabemos, resulta na má interpretação da mensagem ocasionando múltiplos sentidos.